Ao acompanhar o universo do design chegar a um novo patamar, percebemos que estamos numa época em que a beleza e funcionalidade de um objeto não são mais sinônimos de aquisição garantida. Observamos um novo elemento se unir ou monopolizar tudo que já vem sendo utilizado na arte de criar um produto: a emoção. Pessoas cada vez mais sentem necessidade de uma conexão maior com aquilo que vão adquirir e procuram componentes que despertem sentimentos e sensações profundas. Isso é uma tendência que se acentua principalmente com a evolução das tecnologias, permitindo uma possível aliança entre ciência, estilo e praticidade.
De acordo com Donald Norman, grande estudioso do assunto, esse é o design emocional, responsável por estimular no consumidor, conforme a interação com um objeto, várias reações, que podem ser divididas em: viscerais, comportamentais e reflexivas. Ou seja, os anseios, vontades e expectativas dos acontecimentos do dia-a-dia fazem o público tornar o inanimado uma parte de si. A partir daí, fica mais simples compreender a relação entre comunicação visual, psicologia e as cores e formas, que desenvolvem, entre outros processos, imaginação e impactos, como conseqüência do conteúdo de uma obra e seu contexto.
Vários exemplos podem ser notados e analisados como resultado dessa visão emocional e lógica. Só para citar alguns, temos o “Juicy Salif”, um espremedor de laranjas desenhado pelo artista Philipp Starck, que inova pela sua capacidade de agregar utilidade com um conceito totalmente inesperado de um artigo simples, idealizado mais para surpreender do que para ser usado de fato; o “Cherry Phone”, da Bubble Design, que trás algo corriqueiro, como a imagem de uma fruta, e adiciona charme e elegância, produzindo os mais diversos efeitos; a “Leaf tie”, da Lufdesign, uma espécie de lacre em formato de folha, que transforma um ato banal, que é prender fios, embalagens e afins, num evento interessante e diferente, levando um toque de natureza para os mais variados ambientes; etc.
Com todas essas mudanças significativas no mercado, o profissional de design encontra em sua função uma constante ampliação, precisando ter ainda mais sensibilidade para captar a essência da natureza humana ao realizar seus projetos, procurando atingir pontos extremos e, acima de tudo, provocar. O trabalho se torna intenso, porém gratificante, já que consiste num paradoxo que é a materialização do abstrato, unindo a arte e o sentimento com a rotina.
Phillipe Xavier
JORNALISTA